Livros no Blurb

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Quinta das Canadas 14

Parque florestal 1


Parque florestal 2


Wellingtonia (Sequoiadendron giganteum)


A Wellingtonia é uma sequóia nativa do estado da Califórnia. Algumas das árvores da Sierra Nevada californiana são os maiores (mais pesados) seres vivos do planeta. Podem viver até aos 4.000 anos. A maior destas árvores — a General Sherman — pesa cerca de 1.000 toneladas, tem um diâmetro do tronco de 10 metros e atinge 83 metros de altura. Um autêntico colosso!

domingo, 9 de dezembro de 2007

La solitude

Je suis d'un autre pays que le vôtre, d'un autre quartier, d'une autre solitude.
Je m'invente aujourd'hui des chemins de traverse. Je ne suis plus de chez vous.
J'attends des mutants. Biologiquement je m'arrange avec l'idée que je me fais de la biologie: je pisse, j'éjacule, je pleure. Il est de toute première instance que nous façonnions nos idées comme s'il s'agissait d'objets manufacturés.
Je suis prêt à vous procurer les moules. Mais...

La solitude...

Les moules sont d'une texture nouvelle, je vous avertis.
Ils ont été coulés demain matin. Si vous n'avez pas dès ce jour, le sentiment relatif de votre durée, il est inutile de regarder devant vous car devant c'est derrière, la nuit c'est le jour. Et...

La solitude...

Il est de toute première instance que les laveries automatiques, au coin des rues, soient aussi imperturbables que les feux d'arrêt ou de voie libre. Les flics du détersif vous indiqueront la case où il vous sera loisible de laver ce que vous croyez être votre conscience et qui n'est qu'une dépendance de l'ordinateur neurophile qui vous sert de cerveau. Et pourtant...

La solitude...

Le désespoir est une forme supérieure de la critique. Pour le moment, nous l'appellerons "bonheur", les mots que vous employez n'étant plus "les mots" mais une sorte de conduit à travers lesquels les analphabètes se font bonne conscience. Mais...

La solitude...

Le Code civil nous en parlerons plus tard. Pour le moment, je voudrais codifier l'incodifiable. Je voudrais mesurer vos danaïdes démocraties.
Je voudrais m'insérer dans le vide absolu et devenir le non-dit, le non-avenu, le non-vierge par manque de lucidité. La lucidité se tient dans mon froc.



Léo Ferré (La Solitude, 1971)


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sexta-feira, 7 de dezembro de 2007

Os meus livros 13

Capa do volume "Região Autónoma dos Açores" (Círculo de Leitores, 1992)


Capa do volume "Região Autónoma dos Açores" (Temas & Debates, 1997)


Um aspecto do interior do sétimo volume


Com o volume sobre os Açores finaliza-se a colecção "Roteiros da Natureza". No final do mesmo apresenta-se uma lista da bibliografia consultada e um conjunto abrangente de guias da natureza, que permite ao leitor ter uma noção visual e uma súmula da biologia de grande parte das espécies citadas.

Permito-me apresentar de seguida um trecho de Raul Brandão que ilustra com simplicidade e beleza a paisagem açoriana, sua ruralidade e património natural:


[Na ilha azul]

Nos campos, os bois deitados na erva olham para a gente, deixando os estorninhos que lhes pousam nas cabeçorras catar-lhes a mosca. Satisfeitos e calmos não bolem — engordam. Aqui não há pardais, mas o estorninho faz com muita competência o papel do pardal. Pousa nos telhados e anda no campo familiarizado com o lavrador. Outras aves alegram as culturas que descem até ao mar — o pombo bravo, o torcaz e o pombo da rocha, mais pequeno, ambos eles cinzentos, o canário, o tentilhão, o melro preto, o pintassilgo, a vinagreira e a lavandeira, que cobriu as pegadas de Nossa Senhora. A ave negreira, a que o povo chama vinagreira, e é o pássaro mais pequeno da ilha, canta como um rouxinol. Difere da toutinegra, que tem poupinha preta, em ser escura até ao meio do corpo. Dizem os rapazes, que, quando a toutinegra, que em geral põe seis ovos, chega aos sete, do último sai sempre ave negreira.

Raul Bandrão (As Ilhas Desconhecidas, 1926)

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

As andorinhas

Portugal, nos primeiros dias de Primavera, é coberto de asas e o céu azul chilreia. Toda a gente espera as andorinhas. As rústicas escolhem os campos; e as outras procuram as vilas, as cidades, a convivência dos homens e os velhos beirais a cair para uma banda. Conhecem as pessoas, entram pelas janelas com familiaridade, e na antiga casa da aldeia até dentro da sala constroem o ninho. Batem nos vidros, com a lama no bico — abram! abram! — até que lhes abrem a porta, criando numa trave pela primeira vez.
Conhecem Portugal a palmos: as eiras do Minho, com alguns punhados de milho e as vastas eiras do
monte alentejano; os descampados do sul com alguns pinheiros mansos isolados, e o homem do Algarve que desbrava a terra a fogo e pesca o atum na costa. São elas que põem Portugal em comunicação com o céu, e que fazem a Primavera nos primeiros dias de Março. Não há verdadeira Primavera nos países onde não há andorinhas.


Maria Angelina e Raul Brandão (Portugal Pequenino, 1930)


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segunda-feira, 3 de dezembro de 2007

Animais, plantas e paisagens de Portugal 5

Salamandra-de-pintas-amarelas (Salamandra salamandra)


É porventura o urodelo (i.e. anfíbio com cauda) mais comum da Europa e de Portugal. Distribui-se pelo noroeste africano, Europa meridional e central, e sudeste asiático. Apresenta uma coloração à base de negro e amarelo. Consoante a área geográfica considerada pode predominar uma ou outra das tonalidades, formando ambas uma grande variedade de padrões. É robusto e de hábitos marcadamente terrestres, existindo quer nas zonas baixas quer em altitude. Na parte posterior da cabeça, em posição dorso-lateral, possui duas enormes saliências que correspondem às parótidas (glândulas salivares). Procura os pontos de água apenas para se reproduzir. Está geralmente activo de noite. De dia encontra-se sob pedras ou troncos caídos, ou ainda debaixo de um denso coberto arbustivo. Alimenta-se de vermes, aracnídeos e diversos insectos.




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sábado, 1 de dezembro de 2007

Fuselas

Migram na salsugem das nortadas
dos litorais do sul, a grande altura,
para rochas de névoa e alcantis.
Medrosas de perder-se, até de dia.

Voam no areal tingido de detritos,
tombam pelos campos já lavrados
em busca de larvas de besouro.

Entre os cactos abrem clareiras
e a fusela cruza o caudal do sol.
Cresce o fermento das encantações:
seixos, regressos, esmaltes de orvalho,
a música tardia dos seus gritos.

Tuas mãos colhem gerânios,
plantas migratórias, com difíceis folhas,
aí a fusela irá pousar.



Joaquim Manuel Magalhães (Segredos, Sebes, Aluviões, 1981)


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terça-feira, 27 de novembro de 2007

Préstito Fúnebre

Castanheiro multissecular


. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .

E eis no carro morto o castanheiro, enquanto
Melros assobiam nos trigais além…
Heras amortalham-no em seu verde manto…
Deu-lhe a terra o leite, dá-lhe a aurora o pranto…
Que feliz cadáver, que até cheira bem!…

Musgos, líquenes, fetos, — química incessante! —
Fazem montões d'almas dessa podridão…
Já nesse esqueleto seco de gigante,
Sob a luz vermelha, num festim radiante,
Mil milhões de vidas pululando estão!…

Sempre à fortaleza casa-se a doçura:
Como o leão da Bíblia morto num vergel,
Do seu tronco ainda na caverna escura,
Um enxame d'oiro rútilo murmura,
Construindo um favo cândido de mel!…

Oh, os bois enormes, mansos como arminhos,
Meditando estranhas, incubas visões!…
Pousam-lhe nas hastes, vede, os passarinhos,
E por sobre os longos, tórridos caminhos
Dos seus olhos caem bênçãos e perdões…

Chorarão o velho castanheiro ingente,
Sob o qual dormiram sestas estivais?
Almas do arvoredo, o seu olhar plangente
Saberá acaso misteriosamente
Traduzir as línguas em que vós falais?!…

Castanheiro morto! que é da vida estranha
Que no ovário exíguo duma flor nasceu,
E criou raízes, e se fez tamanha,
Que trezentos anos sobre uma montanha
Seus trezentos braços de colosso ergueu?!…

. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .


Guerra Junqueiro (Os Simples, 1892)



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domingo, 25 de novembro de 2007

Os meus livros 12

Capa do volume "Região Autónoma da Madeira" (Círculo de Leitores, 1992)

Capa do volume "Região Autónoma da Madeira" (Temas & Debates, 1997)

Um aspecto do interior do sexto volume


As ilhas foram abordadas individualmente, ou em grupos mais ou menos homogéneos, e em cada caso foram descritas as suas características geoclimáticas e biológicas com base nos andares fitoclimáticos (ou andares de vegetação), a exemplo do que ocorreu com a "ilha ecológica" que a serra da Estrela constitui.
Por outro lado, enquanto no continente a ocupação humana tem uma história de milénios, nos arquipélagos apenas decorreram cerca de 600 anos desde o seu povoamento. Por tal razão torna-se mais fácil reconstituir o percurso do homem na Madeira e nos Açores e a sua influência sobre o património natural insular. Foi o que tentei fazer, ainda que de forma necessariamente sucinta. Onde me parece que este desígnio teve mais sucesso, foi com o roteiro que aqui se apresenta.


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sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Avec le temps

Avec le temps...
Avec le temps, va, tout s'en va
On oublie le visage et l'on oublie la voix
Le coeur, quand ça bat plus,
C'est pas la pein' d'aller chercher plus loin
Faut laisser faire et c'est très bien
Avec le temps...
Avec le temps, va, tout s'en va
L'autre qu'on adorait, qu'on cherchait sous la pluie
L'autre qu'on devinait au détour d'un regard
Entre les mots entre les lignes et sous le fard
D'un serment maquillé qui s'en va faire sa nuit
Avec le temps,
Tout s'évanouit.

Avec le temps...
Avec le temps, va, tout s'en va
Mêm' les plus chouette's souv'nirs ça t'a un' de ces gueul's
À la Gal'rie j'farfouill'
Dans les rayons d'la mort
Le sam'di soir quand la tendresse s'en va tout' seule
Avec le temps...
Avec le temps, va, tout s'en va
L'autre à qui l'on croyait pour un rhum' pour un rien
L'autre à qui l'on donnait du vent et des bijoux
Pour qui l'on eût vendu son âme pour quelques sous
Devant quoi l'on s'traînait comme traînent les chiens
Avec le temps, va, tout va bien.

Avec le temps...
Avec le temps, va, tout s'en va
On oublie les passions et l'on oublie les voix
Qui vous disaient tout bas
Les mots des pauvres gens
Ne rentre pas trop tard, surtout ne prends pas froid
Avec le temps...
Avec le temps, va, tout s'en va
Et l'on se sent blanchi comme un cheval fourbu
Et l'on se sent glacé dans le lit de hasard
Et l'on se sent tout seul peut-être mais peinard
Et l'on se sent floué par les années perdues
Alors vraiment
Avec le temps on n'aime plus



Léo Ferré (1971)



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