Livros no Blurb

terça-feira, 12 de fevereiro de 2008

Os meus livros 17

Capa de "Região de Turismo da Planície Dourada. Roteiro Natural" (António Pena, Lda., 1998)


Um aspecto do interior do Roteiro


A Região de Turismo da Planície Dourada abrange todo o Baixo Alentejo à excepção do concelho de Odemira. Compreende por isso os municípios seguintes: Alvito, Cuba, Vidigueira, Moura, Barrancos, Ferreira do Alentejo, Beja, Serpa, Aljustrel, Ourique, Castro Verde, Mértola e Almodôvar. Alguns destes concelhos são dos maiores do país. Por outro lado, o Baixo Alentejo é porventura a província portuguesa de menor densidade populacional e aquela onde ocorrem as maiores extensões de habitats estepários, de montados e de pousios-pastagem. O Leste da região é atravessado por um dos grandes rios ibéricos — o Guadiana.
Em 2002 foi editada a versão inglesa deste roteiro: "Planície Dourada Tourism Region. Nature Guide" (António Pena, Lda.).

domingo, 10 de fevereiro de 2008

[Caçador]1

A caça fora a maneira de se encontrar com as forças elementares do mundo. E nenhuma razão conseguira pelos anos fora desviá-lo desse caminho. A meninice começara-lhe aos grilos e aos pardais, a juventude e a maioridade passara-as atrás de bichos de pêlo e pena, e agora, velho, as contas do seu rosário eram meia dúzia de cartuchos que, sentado, ia esvaziando no que aparecia. E a vida, a de todos os dias e de toda a gente, com lágrimas e alegrias, ambições e desalentos, ficara-lhe sempre ao lado, vestida de uma realidade que não conseguia ver. A aldeia formigava de questões e raivas, e ele coava-lhe apenas a agitação de longe, vendo-a fumegar na distância, ao anoitecer, e acariciando-a então num cansaço doce e contemplativo.


Miguel Torga (Novos Contos da Montanha)


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sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Animais, plantas e paisagens de Portugal 9

Aspecto geral da planta


Pormenor das flores


A erva-do-homem-enforcado (Aceras anthropophorum) deve o seu nome comum à forma das suas peculiares flores. Trata-se de uma erva especial, isto é, de uma orquídea, que pode passar facilmente despercebida ao observador dado o seu reduzido tamanho e a cor pouco chamativa das suas pequenas flores. Esta espécie é aparentada com as orquídeas do género Orchis com as quais, por vezes, forma híbridos viáveis.
Tem folhas basais de forma oval e verdes. As flores estão compactadas numa densa e estreita espiga, mais ou menos cilíndrica. É uma erva perene (geófito com raízes tuberosas) relativamente comum, calcícola (própria de solos calcários), que se desenvolve em terrenos secos, seja em clareiras de formações arbustivas ou em arrelvados xerofílicos.
Floresce de Março a Maio.
Encontra-se na Europa mediterrânica, no Norte de África e nalguns países da Europa central (Alemanha, Suiça) e ocidental (Inglaterra, Bélgica, Holanda). Em Portugal, a sua presença acompanha fielmente a distribuição dos solos derivados de calcário. Ocorre, por isso, no barrocal algarvio, na Estremadura, no Ribatejo e na Beira Litoral.



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terça-feira, 5 de fevereiro de 2008

[Um Reino Maravilhoso]2

Mas o panorama zoológico não se fica pelo animal de vista baixa que se desfaz em torresmos e chouriços. Passando pelo lobo do Eusébio Macário, que só por si vale um tigre do Kipling, pelo boi de Miranda, que só lhe falta falar, e pelo bicho da seda que de Bragança aveludou em tempos Seca e Meca, temos ainda a perdiz, a fera da Mantelinha, que nenhum forasteiro deve deixar de ver. Em Outubro, quando o sol ainda a espreguiçar-se de sono lava a cara na fonte de Casal de Loivos, certo perdigueiro, que sobe o monte colado ao chão já com um aceno perfumado a fazer-lhe cócegas no nariz, pára de repente siderado. Manda-se-lhe dar a pancada. O navarro entra, e só então Sua Senhoria aparece.
Cabeça alta de quem olha o mundo de cima, peito largo de quem desafia o vento, pés seguros de almocreve. — Pfrrruuu… u… u. Lá vai ela! Quando o tiro lhe acerta e cai, parece uma deusa morta… No cinto, ainda se lhe tem respeito…


Miguel Torga (Trás-os-Montes, Portugal)


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sexta-feira, 1 de fevereiro de 2008

N'oubliez jamais

Papa, why do you play our same old songs
Why do you sing with the melody
Cause down on the street something's goin' on
There's a brand new beat
And a brand new song
(He said) In my life there was so much anger
Still I have no regrets
Just like you I would search forever
So dance your own dance
And never forget

N'oubleeay jamay
I heard my father say
Every generation has its way
And need to disobey
N'oubleeay jamay
It's in your destiny
A need to disagree
And rules get in the way
N'oubliez jamais

Mama, why do you dance to the same old songs
Why do you sing only harmony
Cause down on the street something's goin' on
There's a brand new beat
And a brand new song
(She said) In my heart there's a young girl's passion
For a lifelong duet
And someday soon someone's smile will haunt you
So sing your own song
And never forget

N'oubleeay jamay
I heard my father say
Every generation has its way
And need to disobey
N'oubleeay jamay
It's in your destiny
A need to disagree
And rules get in the way
N'oubliez jamais

What is this game
Searching for love affairs
Is obsolete
One of these days you say that
Love will be the cure
I'm not so sure



Joe Cocker (Across from Midnight, 1997)


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segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

[Um Reino Maravilhoso]1

Um mundo! Um nunca acabar de terra grossa, fragosa, bravia, que tanto se levanta a pino num ímpeto de subir ao céu, como se afunda nuns abismos de angústia, não se sabe por que telúrica contrição.
Terra-Quente e Terra-Fria. Léguas e léguas de chão raivoso, contorcido, queimado por um sol de fogo ou por um frio de neve. Serras sobrepostas a serras. Montanhas paralelas a montanhas.
Nos intervalos, esmagados entre a penedia, rios de água cristalina, cantantes, a matar a sede de tanta angústia. E de quando em quando, oásis da inquietação que fez tais rugas geológicas, um vale imenso, dum húmus puro, onde a vista descansa da agressão das penedias. Veigas que alegram Chaves, Vila Pouca, Vilariça, Mirandela, Bragança e Vinhais.
Mas novamente o granito protesta. Novamente nos acorda para a força medular de tudo. E são outra vez serras, até perder de vista.


Miguel Torga (Trás-os-Montes, Portugal)



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sábado, 26 de janeiro de 2008

Os meus livros 16

Capa de "Santarém: Um Roteiro Natural do Concelho" (António Pena, Lda., 1996)


Um aspecto do interior do roteiro


Este pequeno livro está estruturado em três grandes capítulos, a saber: "O Território", "Os Ambientes Ecológicos" e "Roteiro Natural". Foi esta a forma de organização que, daqui para a frente, passei a utilizar nos roteiros naturais. O primeiro capítulo trata os seguintes temas: "Algumas referências históricas" e "As condições geoclimáticas" (i.e. relevo, geologia e solos, clima, cursos de água e zonas naturais). O segundo grande capítulo subdivide-se em "A evolução da paisagem ao longo dos tempos" e "As espécies e os principais meios ecológicos". Finalmente, o capítulo "Roteiro Natural" compreende a descrição de 5 circuitos: Almoster e área envolvente; No coração do Bairro; De Pernes a Alcanhões cruzando o Bairro e o Campo; O triângulo Alcanede - Alcobertas - Valverde; Valverde - Amiais de Baixo - Abrã - Alcanede.
O livro termina com um glossário de termos técnicos, as referências bibliográficas e uma lista de espécies animais e vegetais do concelho.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

[Painel]2

Vejo as terras beiroas, que recordam
O Minho e Trás-os-Montes…
São desertos planaltos amarelos,
Verdes campos de milho
Entre íngremes colinas de pinheiros,
Onde murmura o vento o seu queixume
De cor crepuscular…
Afastadas montanhas: Caramulo
E Montemuro e a Estrela,
Virgem-mãe do Mondego, em penitência,
Vestindo um manto de perpétua neve.



Teixeira de Pascoaes (Obras Completas, vol. VI)


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terça-feira, 22 de janeiro de 2008

[Painel]1

Surge Lisboa, branca, ao pé do Tejo azul;
A Lisboa das naus,
Construída em marfim, sobre colinas de oiro.
Vede o imenso
estuário… (é sonho ou realidade?)
Sob um Azul divino a desfolhar-se em asas!
São gaivotas voando em multidão, pairando
E pousando nas ondas, em que o céu
E o doirado do sol e as águas se misturam
Em tintas de quimera!
E, na Outra Banda, outeiros nus de argila;
Almada e o seu castelo,
Muros brancos de cal, pomares, arvoredos,
E ao fundo, em mancha azul, a Arrábida saudosa.


Teixeira de Pascoaes (Obras Completas, vol. VI)


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