Livros no Blurb

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

[A bacia da Régua]

Rio Douro (Régua)


Por cima das cepas derrubadas com o peso das uvas vicejam as árvores do pomar carregadas de fruto: as laranjeiras, os pessegueiros, os damasqueiros, as figueiras, as pereiras, as cerejeiras e as ginjeiras.
Contra os muros esverdeados de musgo bracejam os limoeiros doces e azedos.
As sebes dos campos são feitas de marmeleiros entrelaçados.
Nos debruns das leiras e no sopé dos muros, por entre as hastes de hera e as moitas de fetos, de violetas e de dedaleiras em flor, rebentam os morangos e as groselhas.

Ramalho Ortigão (As Farpas I)

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Os meus livros 23

Capa do Roteiro Natural do concelho de Montijo (Câmara Municipal de Montijo, 2001)


Este concelho, ao contrário do que muita gente possa supor, não se limita ao pequeno território da margem sul do Tejo, junto a Alcochete. Existe uma outra porção territorial, de maiores dimensões, separada da anterior, que abrange como principais núcleos populacionais Canha e Pegões. É nesta zona que será construído o futuro aeroporto internacional de Lisboa.

domingo, 12 de outubro de 2008

Proposição das rimas do poeta

Incultas produções da mocidade
Exponho a vossos olhos, ó leitores:
Vede-as com mágoa, vede-as com piedade,
Que elas buscam piedade, e não louvores:

Ponderai da Fortuna a variedade
Nos meus suspiros, lágrimas e amores;
Notai dos males seus a imensidade,
A curta duração de seus favores:

E se entre versos mil de sentimento
Encontrardes alguns cuja aparência
Indique festival contentamento,

Crede, ó mortais, que foram com violência
Escritos pela mão do Fingimento,
Cantados pela voz da Dependência.

Manuel Maria Barbosa du Bocage

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Animais, plantas e paisagens de Portugal 15

Morrião-perene (Anagallis monelli)


O morrião-perene (Anagallis monelli) pertence à família das primuláceas. Como o seu nome comum indica trata-se de uma erva vivaz, isto é, cuja parte subterrânea se mantém durante vários anos enquanto a parte aérea se renova de ano para ano. Os indivíduos apresentam-se prostrados, ascendentes ou erectos e mais ou menos lenhosos na base. É de pequena dimensão e as folhas são opostas, não pecioladas, ovado-lanceoladas a elípticas. As flores são relativamente pequenas, de um azul forte, com a parte central de cor púrpura.
O morrião-perene surge em ambientes abertos e secos, por exemplo em orlas ou taludes, sobre a duna secundária ou estabilizada e amiúde sobre solos calcários. Existe no Centro e Sul de Portugal, em particular na sua metade litoral.
Floresce entre Março e Junho.
É uma planta própria do ocidente mediterrânico que podemos observar na Península Ibérica, na Sicília e no Norte de África.

sábado, 4 de outubro de 2008

Corticeiros

No silêncio ardente do dia parado,
Há lida de gente no denso montado.

Há troncos despidos, já lívidos, frios,
E troncos que esperam, em funda ansiedade,
Com gestos convulsos, de sonhos sombrios,
Em dor e silêncio, por toda a herdade.

Os pés descalços trepam ágeis,
Sobem…
O machadinho crava-se e segura,
Como se fora um croque de abordagem,
O homem
A subir, na faina dura.
E lembra-me, assim vistos a distância,
— Os vultos a trepar pelos troncos gigantes —
Como, em contos de infância,
Cornacas dominavam enormes elefantes.

— Que os troncos majestosos e inermes
Têm o ar daqueles paquidermes,
Lentos, laboriosos, resignados. —

Desses trágicos braços contorcidos,
Que mais tarde, a sangrar,
São a gala maior desta paisagem,
E, agora, estão gelados, confrangidos
Pela tortura sem par,
No pino da estiagem,
Vão homens rudes, escuros e suados,
Lenço metido sob o chapéu largo,
Arrancando aos bocados,
Em férrea luta obscura,
Com qualquer coisa de febril e amargo,
A epiderme dura.

— Oh, velhas árvores dos montados!

E há pasmo na canícula.
E há silêncio, de assombro, na paisagem!

— Troncos dilacerados…


Francisco Bugalho (Paisagem)

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

[O sobreiro]


O montado de sobro, na sua soturnidade, é uma das belezas rudes e severas da terra. Sobrevivência da floresta primitiva, fonte apetecida e explorada de riqueza, mau grado as pragas e o desbaratamento económico que tem sofrido, esta árvore mantém em muito a sua robustez bravia e acaso daí a particular sedução que desperta.


Manuel Mendes (Roteiro Sentimental — A Sul do Tejo)

domingo, 21 de setembro de 2008

Concelho da Guarda em imagens 3

Um soito (povoamento de castanheiros para produção de castanha) no Outono


No ponto mais alto do concelho — Cabeça Alta (1.287 metros). Ao fundo destaca-se a serra da Santinha (± 1.500 metros), sobranceira a Folgosinho, já no concelho de Gouveia


quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Sobreiros

Põe-se o Sol atrás do Monte,
Vermelha tarde outonal…

Há transparências no ar,
Laivos purpúreos,
Doirados,
Roxos,
Ocres,
Amarelados,
Todos os tons violentos
Que se possa imaginar…

(Os borregos já nascidos
Soltam, ao longe, balidos,
Regressa o gado ao curral.)

Da terra recém-rasgada,
Húmida, fresca, fendida,
P'lo arado violada,
Onde abriram os alqueives
Em leivas férteis, fecundas,
Surgem gigantes torcidos!…
Seus troncos são paus batidos,
Pelo suão já tisnados,
Exangues uns, outros sangrentos,
Testemunhos de tormentos,
De tanto viver já cansados…

Cantar-vos, quanto desejo!

Assim eu tivesse ensejo
E me fosse dado o jeito
Para libertar do peito
Todo o amor que vos tenho:

Sobreiros do meu Alentejo!



João Filipe Bugalho (Inédito, 1985)

sábado, 13 de setembro de 2008

Os meus livros 22

Capa de "GR22. Grande rota das aldeias históricas" (Inatel, 2000)


Este foi mais um dos livros editados ao abrigo do projecto da "Carta do Lazer das Aldeias Históricas". É dedicado à grande rota europeia 22 que liga as 10 aldeias históricas num percurso de btt de cerca de 540 quilómetros, o qual atravessa 17 concelhos do interior beirão e 3 áreas protegidas, a saber: Parque Natural da Serra da Estrela, Parque Natural do Douro Internacional e Reserva Natural da Serra da Malcata.
Embora a sua autoria seja da Teresa Bento, um dos elementos da equipa técnica criada expressamente para a realização deste projecto, os textos sobre o património natural (descrições ao longo dos percursos) e as fotografias de fauna e flora são de minha autoria.