1.
O sangue matinal das framboesas
escolhe a brancura do linho para amar.
2.
A manhã cheia de brilhos e doçura
debruça o rosto puro na maçã.
3.
Na laranja o sol e a lua
dormem de mãos dadas.
4.
Cada bago de uva sabe de cor
o nome dos dias todos do verão.
5.
Nas romãs eu amo
o repouso no coração do lume.
Eugénio de Andrade (Ostinato Rigore)
sábado, 15 de novembro de 2008
domingo, 9 de novembro de 2008
Animais, plantas e paisagens de Portugal 16
Linhares da Beira, no concelho de Celorico da Beira, é uma das Aldeias Históricas de Portugal. Com o seu imponente castelo, a simpatia da sua gente e a sua posição dominante, debruçada sobre a bacia de Celorico, esta mimosa aldeia beirã detém um património considerável e merece uma aturada visita.
quarta-feira, 5 de novembro de 2008
[Laranjal]
Nos seus longos passeios solitários pelo pomar e pelas terras, Margarida cortava às vezes uma folha de inhameiro, e, afunilando-a na mão, chegando-a a uma bica de rega, bebia grandes goladas daquele líquido macio e pesado, que ficava no veludo da folha com o aspecto de prata ou de mercúrio. As laranjas já estavam grossas e douradas nas árvores. Algum botãozinho de uma floração temporã alternava com os ramos vergados ao peso dos frutos que um sol de pouca dura ia adoçando e adelgaçando. Margarida rondava as laranjeiras quase pé ante pé, pesquisando aquela frutificação bela e ardente na manhã que subia emborralhada, contando as laranjas milagrosamente acamadas numa pernada só, tirando-lhes uma ou outra cochonilha com a ponta da unha, — enfim, como que lendo, criticando as páginas daquele laranjal da Urzelina, autêntica biblioteca sem leitores.
Às vezes, algum tentilhão ou vinagreira esvoaçava entre as folhas; um botão de flor de laranjeira, rijo e encerado, ficava a tremer da fuga da ave assustadiça.
Às vezes, algum tentilhão ou vinagreira esvoaçava entre as folhas; um botão de flor de laranjeira, rijo e encerado, ficava a tremer da fuga da ave assustadiça.
Vitorino Nemésio (Mau Tempo no Canal)
sábado, 1 de novembro de 2008
terça-feira, 28 de outubro de 2008
Blackbird
Blackbird singing in the dead of night
Take these broken wings and learn to fly
All your life
You were only waiting for this moment to arise.
Blackbird singing in the dead of night
Take these sunken eyes and learn to see
All your life
You were only waiting for this moment to be free.
Blackbird fly blackbird fly
Into the light of the dark black night.
Blackbird fly blackbird fly
Into the light of the dark black night.
Blackbird singing in the dead of night
Take these broken wings and learn to fly
All your life
You were only waiting for this moment to arise
You were only waiting for this moment to arise
You were only waiting for this moment to arise.
The Beatles
Take these broken wings and learn to fly
All your life
You were only waiting for this moment to arise.
Blackbird singing in the dead of night
Take these sunken eyes and learn to see
All your life
You were only waiting for this moment to be free.
Blackbird fly blackbird fly
Into the light of the dark black night.
Blackbird fly blackbird fly
Into the light of the dark black night.
Blackbird singing in the dead of night
Take these broken wings and learn to fly
All your life
You were only waiting for this moment to arise
You were only waiting for this moment to arise
You were only waiting for this moment to arise.
The Beatles
sexta-feira, 24 de outubro de 2008
Concelho da Guarda em imagens 4
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
[A bacia da Régua]
Rio Douro (Régua) Por cima das cepas derrubadas com o peso das uvas vicejam as árvores do pomar carregadas de fruto: as laranjeiras, os pessegueiros, os damasqueiros, as figueiras, as pereiras, as cerejeiras e as ginjeiras.
Contra os muros esverdeados de musgo bracejam os limoeiros doces e azedos.
As sebes dos campos são feitas de marmeleiros entrelaçados.
Nos debruns das leiras e no sopé dos muros, por entre as hastes de hera e as moitas de fetos, de violetas e de dedaleiras em flor, rebentam os morangos e as groselhas.
Ramalho Ortigão (As Farpas I)
Contra os muros esverdeados de musgo bracejam os limoeiros doces e azedos.
As sebes dos campos são feitas de marmeleiros entrelaçados.
Nos debruns das leiras e no sopé dos muros, por entre as hastes de hera e as moitas de fetos, de violetas e de dedaleiras em flor, rebentam os morangos e as groselhas.
Ramalho Ortigão (As Farpas I)
quinta-feira, 16 de outubro de 2008
Os meus livros 23
Capa do Roteiro Natural do concelho de Montijo (Câmara Municipal de Montijo, 2001)Este concelho, ao contrário do que muita gente possa supor, não se limita ao pequeno território da margem sul do Tejo, junto a Alcochete. Existe uma outra porção territorial, de maiores dimensões, separada da anterior, que abrange como principais núcleos populacionais Canha e Pegões. É nesta zona que será construído o futuro aeroporto internacional de Lisboa.
domingo, 12 de outubro de 2008
Proposição das rimas do poeta
Incultas produções da mocidade
Exponho a vossos olhos, ó leitores:
Vede-as com mágoa, vede-as com piedade,
Que elas buscam piedade, e não louvores:
Ponderai da Fortuna a variedade
Nos meus suspiros, lágrimas e amores;
Notai dos males seus a imensidade,
A curta duração de seus favores:
E se entre versos mil de sentimento
Encontrardes alguns cuja aparência
Indique festival contentamento,
Crede, ó mortais, que foram com violência
Escritos pela mão do Fingimento,
Cantados pela voz da Dependência.
Manuel Maria Barbosa du Bocage
Exponho a vossos olhos, ó leitores:
Vede-as com mágoa, vede-as com piedade,
Que elas buscam piedade, e não louvores:
Ponderai da Fortuna a variedade
Nos meus suspiros, lágrimas e amores;
Notai dos males seus a imensidade,
A curta duração de seus favores:
E se entre versos mil de sentimento
Encontrardes alguns cuja aparência
Indique festival contentamento,
Crede, ó mortais, que foram com violência
Escritos pela mão do Fingimento,
Cantados pela voz da Dependência.
Manuel Maria Barbosa du Bocage
quarta-feira, 8 de outubro de 2008
Animais, plantas e paisagens de Portugal 15
Morrião-perene (Anagallis monelli)O morrião-perene (Anagallis monelli) pertence à família das primuláceas. Como o seu nome comum indica trata-se de uma erva vivaz, isto é, cuja parte subterrânea se mantém durante vários anos enquanto a parte aérea se renova de ano para ano. Os indivíduos apresentam-se prostrados, ascendentes ou erectos e mais ou menos lenhosos na base. É de pequena dimensão e as folhas são opostas, não pecioladas, ovado-lanceoladas a elípticas. As flores são relativamente pequenas, de um azul forte, com a parte central de cor púrpura.
O morrião-perene surge em ambientes abertos e secos, por exemplo em orlas ou taludes, sobre a duna secundária ou estabilizada e amiúde sobre solos calcários. Existe no Centro e Sul de Portugal, em particular na sua metade litoral.
Floresce entre Março e Junho.
É uma planta própria do ocidente mediterrânico que podemos observar na Península Ibérica, na Sicília e no Norte de África.
O morrião-perene surge em ambientes abertos e secos, por exemplo em orlas ou taludes, sobre a duna secundária ou estabilizada e amiúde sobre solos calcários. Existe no Centro e Sul de Portugal, em particular na sua metade litoral.
Floresce entre Março e Junho.
É uma planta própria do ocidente mediterrânico que podemos observar na Península Ibérica, na Sicília e no Norte de África.
Subscrever:
Mensagens (Atom)




