I am enough of an artist to draw freely upon my imagination. Imagination is more important than knowledge. Knowledge is limited. Imagination encircles the world.
terça-feira, 30 de junho de 2009
sexta-feira, 26 de junho de 2009
quinta-feira, 18 de junho de 2009
In Portugal
Camões speaks of the "ancient"
vigour of the Portuguese, but those
who imagine the Portuguese of the
twentieth century to be a soft and
enervated nation will be surprised to find how
much quiet determination, persistent work and
brave endurance of hardships exists in Portugal.
Aubrey F. G. Bell (In Portugal, 1912)
vigour of the Portuguese, but those
who imagine the Portuguese of the
twentieth century to be a soft and
enervated nation will be surprised to find how
much quiet determination, persistent work and
brave endurance of hardships exists in Portugal.
Aubrey F. G. Bell (In Portugal, 1912)
sábado, 13 de junho de 2009
domingo, 7 de junho de 2009
Interrogação
Neste tormento inútil, neste empenho
De tornar em silêncio o que em mim canta,
Sobem-me roucos brados à garganta
Num clamor de loucura que contenho.
Ó alma da charneca sacrossanta,
Irmã da alma rútila que eu tenho,
Dize para onde vou, donde é que venho
Nesta dor que me exalta e me alevanta!
Visões de mundos novos, de infinitos,
Cadências de soluços e de gritos,
Fogueira a esbrasear que me consome!
Dize que mão é esta que me arrasta?
Nódoa de sangue que palpita e alastra…
Dize de que é que eu tenho sede e fome?!
Florbela Espanca (Sonetos Completos)
De tornar em silêncio o que em mim canta,
Sobem-me roucos brados à garganta
Num clamor de loucura que contenho.
Ó alma da charneca sacrossanta,
Irmã da alma rútila que eu tenho,
Dize para onde vou, donde é que venho
Nesta dor que me exalta e me alevanta!
Visões de mundos novos, de infinitos,
Cadências de soluços e de gritos,
Fogueira a esbrasear que me consome!
Dize que mão é esta que me arrasta?
Nódoa de sangue que palpita e alastra…
Dize de que é que eu tenho sede e fome?!
Florbela Espanca (Sonetos Completos)
terça-feira, 2 de junho de 2009
sexta-feira, 29 de maio de 2009
segunda-feira, 25 de maio de 2009
quinta-feira, 21 de maio de 2009
Os Cativos
Encostados ás grades da prisão,
Olham o céu os pálidos cativos.
Já com raios oblíquos, fugitivos,
Despede o sol um ultimo clarão.
Entre sombras, no longe, vagamente,
Morrem as vozes na extensão saudosa.
Cai do espaço, pesada, silenciosa,
A tristeza das cousas, lentamente.
E os cativos suspiram. Bandos de aves
Passam velozes, passam apressados,
Como absortos em íntimos cuidados,
Como absortos em pensamentos graves.
E dizem os cativos: Na amplidão
Jamais se extingue a eterna claridade...
A ave tem o voo e a liberdade...
O homem tem os muros da prisão!
Aonde ides? qual é vossa jornada?
À luz? à aurora? à imensidade? aonde?
Porém o bando passa e mal responde:
À noite, à escuridão, ao abismo, ao nada!
E os cativos suspiram. Surge o vento,
Surge e perpassa esquivo e inquieto,
Como quem traz algum pesar secreto,
Como quem sofre e cala algum tormento.
E dizem os cativos: Que tristezas,
Que segredos antigos, que desditas,
Caminheiro de estradas infinitas,
Te levam a gemer pelas devesas?
Tu que procuras? que visão sagrada
Te acena da solidão onde se esconde?
Porém o vento passa e só responde:
A noite, a escuridão, o abismo, o nada!
E os cativos suspiram novamente.
Como antigos pesares mal extintos,
Como vagos desejos indistintos,
Surgem do escuro os astros, lentamente.
E fitam-se, em silencio indecifrável,
Contemplam-se de longe, misteriosos,
Como quem tem segredos dolorosos,
Como quem ama e vive inconsolável...
E dizem os cativos: Que problemas
Eternos, primitivos vos atraem?
Que luz fitais no centro d'onde saem
A flux, em jorro, as intuições supremas?
Por que esperais? n'essa amplidão sagrada
Que soluções esplêndidas se escondem?
Porém os astros tristes só respondem:
A noite, a escuridão, o abismo, o nada!
Assim a noite passa. Rumorosos
Sussurram os pinhais meditativos,
Encostados ás grades, os cativos
Olham o céu e choram silenciosos.
Antero de Quental (Os Sonetos Completos, 1886)
Olham o céu os pálidos cativos.
Já com raios oblíquos, fugitivos,
Despede o sol um ultimo clarão.
Entre sombras, no longe, vagamente,
Morrem as vozes na extensão saudosa.
Cai do espaço, pesada, silenciosa,
A tristeza das cousas, lentamente.
E os cativos suspiram. Bandos de aves
Passam velozes, passam apressados,
Como absortos em íntimos cuidados,
Como absortos em pensamentos graves.
E dizem os cativos: Na amplidão
Jamais se extingue a eterna claridade...
A ave tem o voo e a liberdade...
O homem tem os muros da prisão!
Aonde ides? qual é vossa jornada?
À luz? à aurora? à imensidade? aonde?
Porém o bando passa e mal responde:
À noite, à escuridão, ao abismo, ao nada!
E os cativos suspiram. Surge o vento,
Surge e perpassa esquivo e inquieto,
Como quem traz algum pesar secreto,
Como quem sofre e cala algum tormento.
E dizem os cativos: Que tristezas,
Que segredos antigos, que desditas,
Caminheiro de estradas infinitas,
Te levam a gemer pelas devesas?
Tu que procuras? que visão sagrada
Te acena da solidão onde se esconde?
Porém o vento passa e só responde:
A noite, a escuridão, o abismo, o nada!
E os cativos suspiram novamente.
Como antigos pesares mal extintos,
Como vagos desejos indistintos,
Surgem do escuro os astros, lentamente.
E fitam-se, em silencio indecifrável,
Contemplam-se de longe, misteriosos,
Como quem tem segredos dolorosos,
Como quem ama e vive inconsolável...
E dizem os cativos: Que problemas
Eternos, primitivos vos atraem?
Que luz fitais no centro d'onde saem
A flux, em jorro, as intuições supremas?
Por que esperais? n'essa amplidão sagrada
Que soluções esplêndidas se escondem?
Porém os astros tristes só respondem:
A noite, a escuridão, o abismo, o nada!
Assim a noite passa. Rumorosos
Sussurram os pinhais meditativos,
Encostados ás grades, os cativos
Olham o céu e choram silenciosos.
Antero de Quental (Os Sonetos Completos, 1886)
domingo, 17 de maio de 2009
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