Livros no Blurb

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Os meus livros 32


Capa do Roteiro Arqueológico da Guarda. Território, Paisagens e Artefactos (C. M. da Guarda, 2008)





Aspectos do interior do Roteiro




Este Roteiro resulta de um projecto da Câmara Municipal da Guarda e foi elaborado em conjunto com técnicos deste município. A publicação inicia-se com um capítulo que aborda o território concelhio do qual sou responsável. Seguem-se os capítulos "A Pré-História", "A Romanização da Região da Guarda" e "A Idade Média" que foram escritos pelos técnicos António Carvalho, Hugo Faustino e Vítor Pereira. A fotografia é praticamente toda de minha autoria.

quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Fóra de vila e termo

Os que negam todo o valor ao simples ler e escrever, imaginam que não há vida de relações fora da alta atmosfera em que se urdem os grandes negócios; que o ensino elementar, o grau mais elementar do ensino, visto não habilitar para se lerem os Lusíadas ou escrever o Monge de Cister, é perfeitamente dispensável.
Somos actualmente, na Europa, o país de maior percentagem de analfabetos, percentagem que na capital vai além de quarenta.
Quer-nos parecer que também somos, na Europa, o país onde é maior a percentagem dos doutores, e estas duas calamidades, somadas, explicam a desordem da nossa vida colectiva — a nossa miséria económica, por insuficiência de produção, a nossa ruína financeira, por excesso de gastos, a nossa corrupção de costumes políticos por falta de base moral.


Brito Camacho (Por Cerros e Vales, 1931)

domingo, 23 de agosto de 2009

Animais, plantas e paisagens de Portugal 24

Candeias (Arisarum vulgare): estruturas reprodutoras e folhas



Pormenor da espata


A Arisarum vulgare, vulgarmente conhecida por candeias, capuz-de-frade ou arisaro, é uma planta herbácea perene, acaule, com tubérculo, da família dos jarros ou aráceas. Possui folhas de limbo largo, mais ou menos oval, e um pecíolo comprido pintalgado de púrpura. A espata (bráctea mais ou menos desenvolvida, enrolada tal qual um cartucho ou em forma de tubo e capuz, que envolve a inflorescência ou espadice), longamente peciolada, geralmente por entre as folhas ou acima destas, é muito característica e contribui para atribuir à planta o seu nome vulgar. Encontra-se em locais sombreados e com alguns afloramentos rochosos, quer em povoamentos arbustivos quer arbóreos.
Trata-se de uma espécie comum na bacia mediterrânica que surge entre Outubro e Maio. Em Portugal ocorre preferencialmente no Centro e Sul.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Pela Beira

Sinto a imensidade alentejana como uma projecção, amplificada, da minha alma ansiosa e nunca satisfeita, o horizonte sempre a recuar, como as miragens no deserto; mas esta Beira de horizontes curtos, de vales amenos, de encostas verdejantes, ligeiramente acidentada aqui, montanhosa além, quente no pleno Verão, com manchas de neve em pleno Inverno, esta Beira de fundas ravinas e píncaros alterosos, é um álbum que eu vou folheando sem me aborrecer, porque me oferece em cada página aspectos variados e interessantes.

Brito Camacho (Por Cerros e Vales, 1931)

sábado, 15 de agosto de 2009

Quinta das Canadas 29

Castanheiros novos, plantados ao abrigo de um projecto 2080 (conversão de área agrícola em florestal) e núcleo de giesta-negral (Cytisus striatus) ao fundo. Nesta zona vai passar dentro de 2 anos a IP2 em perfil de auto-estrada, destruindo as árvores e afectando definitiva e negativamente a tranquilidade e ruralidade locais.


Soagem (Echium plantagineum): deformação de origem genética?

terça-feira, 11 de agosto de 2009

Pelos Campos

Lá em baixo, na desolação da terra morta, sem energias produtoras, a Ribeira do Roxo, de águas envenenadas, sem transparência, vai andando a caminho do Sado, onde chega depurada, como antes das minas a inquinarem.
E toca para Aljustrel, atravessando magníficas terras de semeadura, com grandes bocados de vinha, e consideráveis trechos de olival, grandes e bem copadas oliveiras, carregadas de candeio.

Brito Camacho (Por Cerros e Vales, 1931)

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

sexta-feira, 31 de julho de 2009

As Ligações Cósmicas

Os nossos instintos e emoções são os dos nossos antepassados caçadores- -recolectores de há milhões de anos. Mas a nossa sociedade é surpreendentemente diferente da de há milhões de anos. Em épocas de mudança lenta, os conhecimentos e técnicas aprendidos por uma geração são úteis, são experimentados, adaptados e alegremente recebidos quando são transmitidos à geração seguinte. Mas em tempos como os de hoje, quando a sociedade muda significativamente em menos tempo do que a duração da vida humana, os conhecimentos paternos já não têm validade incontestada para os jovens. O chamado afastamento das gerações é uma consequência do ritmo da evolução tecnológica e social.
Mesmo no tempo de vida humana, a alteração é tão grande que muitas pessoas são afastadas da sua própria sociedade. Margaret Mead descreveu as pessoas mais velhas de hoje como emigrantes involuntários do passado para o presente.

Carl Sagan (As Ligações Cósmicas. Uma perspectiva extraterrestre, 1973)

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Os meus livros 31


Capa do Roteiro Natural do Concelho da Guarda (C.M. Guarda e Pró-Raia, 2006)



Contracapa



Um aspecto do interior do Roteiro


quarta-feira, 22 de julho de 2009

A Identidade Nacional

Como é evidente, a duração da autonomia política e a continuidade do território são factores importantes para a solidez e o aprofundamento da identidade nacional. Não admira, por isso, que, no caso português, se tenha atribuído tanta importância ao facto de as fronteiras nacionais se haverem mantido praticamente idênticas desde 1297. Este facto permitiu afirmar que Portugal era o país mais velho da Europa, não por que o seu poder político se tivesse transmitido numa linha contínua desde há mais tempo do que o de qualquer outra nação europeia, mas por o seu território ser idêntico desde o fim do século XIII, o que não aconteceu efectivamente com as outras formações políticas do velho continente. A maioria dos autores que têm tratado da identidade nacional atribui também uma grande importância ao fenómeno da língua, pelo facto de o português se falar num território praticamente coincidente com o das suas fronteiras políticas. Não há dúvida de que este facto tem uma efectiva importância histórica.

José Mattoso (A Identidade Nacional)