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segunda-feira, 16 de julho de 2007

Quinta das Canadas 2

Ovelhas pastoreando num soito (Novembro 2006)

Sob o dossel arbóreo do parque florestal (Novembro 2006)


A Quinta das Canadas é a quinta da minha família, que eu giro mais ou menos à distância desde 1992. Situa-se no interior beirão, na transição da Beira Alta para a Beira Transmontana, fazendo parte do concelho de Trancoso. Meu pai e meus avós paternos eram daqui. Apesar de ter feito a sua vida profissional em Lisboa, meu pai sempre manteve um enorme apego à sua terra natal e, por isso, assim que pôde comprou terrenos e pediu ao meu avô que, no fundo, tratasse de zelar para que a Quinta das Canadas tomasse corpo. No início dos anos 50 do século passado assim aconteceu. Na realidade, embora tivesse sido o meu pai que investiu e que tomou a maior parte das decisões, sem o acompanhamento e a presença constante do meu avô Pena, a quinta nunca teria sido o que foi (é).
Para mim, este foi um dos três locais fundamentais do "campo" português. Fundamentais porque foram determinantes na minha formação como pessoa e também nas decisões que tomei no decurso da minha vida profissional. A este respeito, as Canadas destaca-se como a zona mais marcante. Aqui passei, desde a mais tenra idade e durante mais de uma década, cerca de quatro meses e meio por ano (15 dias na Páscoa e no Natal e 3,5 meses nas férias de Verão). Ocupava-me o dia todo assistindo à rude e penosa faina agrícola, acompanhando os pastores ou com os meus irmãos atrás da passarada. Fiz muita asneira mas também adquiri muitos e preciosos ensinamentos que mais tarde iriam condicionar a escolha do curso que tirei, a facilidade com que vivo o campo e o grande gosto e respeito que tenho pelo nosso rico e diverso mundo rural.
Os outros locais que também me marcaram profundamente foram o Paul do Trejoito, junto a Benavente — uma zona de montado de sobro sobre areias terciárias, envolvendo aluviões férteis cultivadas de arroz — onde levei a cabo o meu estágio de fim de curso que incidiu sobre as comunidades de aves, e o concelho de Mértola do qual já falei a propósito do livro Fauna e Flora de Mértola. Uma Perspectiva Ecológica do Concelho. Infelizmente, por diversas razões, nunca mais voltei ao Trejoito e tenho ido muito pouco a Mértola.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Os meus livros 1

Capa do livro editado pela C.M. de Mértola em 1985


Uma ilustração do mesmo livro com a seguinte legenda: A azinheira, um ecossistema em miniatura (ilustração da autoria de Maria do Rosário D. Pinto Bessa)


Em 1984, juntamente com um colega de faculdade (Luís Gomes) e um amigo de infância (José Cabral), que reuni para o efeito, fundei aquela que provavelmente foi a primeira empresa de estudos de ambiente em Portugal criada por biólogos. A esta empresa chamei Naturibérica - Estudos e Divulgação em Biologia, Lda. Na altura, um dos vereadores da Câmara Municipal de Mértola era meu primo direito. Em conversa informal com ele foi-me comunicado que poderia haver interesse camarário num estudo que identificasse e caracterizasse a fauna e flora do concelho.
Começou assim a nossa actividade em Mértola, que se prolongou por cerca de 3 anos ao longo dos quais produzimos o referido estudo (Estudo Fitogeográfico e Faunístico do Concelho de Mértola, 1984), o livro que aqui se apresenta, um videograma (Mértola: Aspectos Naturais do Concelho, 1986) e os trabalhos preparatórios para aquilo que viria a ser o Parque Natural do Vale do Guadiana (Anteplano para o Aproveitamento Racional do Património Natural do Vale do Guadiana/concelho de Mértola, 1987; Estudo Prévio do Vale do Guadiana (concelho de Mértola) para a Delimitação de Áreas numa Perspectiva Conservacionista, 1987).
Este livro constituiu uma verdadeira pedrada no charco no então panorama nacional da divulgação e conservação da natureza. Foi também fonte de inspiração para uma nova geração de biólogos que perceberam que o seu país tinha grande valor natural e que urgia preservá-lo. Por outro lado também os incentivou a escolher outra via profissional, que não a via pedagógica.
A nós, os autores, que não ganhámos um tostão por termos realizado o livro, ficou-nos o orgulho e a satisfação do pioneirismo e de vermos que esta publicação teve consequências práticas de grande valia. A mim ficou-me ainda um enorme apego ao concelho de Mértola, ao qual mais tarde haveria de voltar assumindo outras funções.